“O DESAFIO DE TÉRCIO & LUPÉRCIO” – Com Grupo BOLINHO DE CARNE COM BERINJELA (“ESPIRITUOSO”)

Neste divertido desafio, o compositor Sergio Sachi nos remete à saudosa dupla caipira paulista ALVARENGA & RANCHINHO. Talvez desconhecida das novas gerações, essa divertida dupla embalava e divertia multidões no início da década de 1.960, com suas músicas satíricas e extremamente engraçadas. Esta faixa integra o Álbum “O RETORNO DOS NÁUFRAGOS”, do Grupo “Bolinho de Carne com Berinjhela” (atual “Espirituoso”). Abaixo, a letra deste desafio na íntegra:

“O DESAFIO DE TÉRCIO & LUPÉRCIO”

(Música de SERGIO SACHI)

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Olá meu povo amado,

alegra-nos aquí estar

A todos muito obrigado

por ouvir nosso cantar

Mas não somos apressados,

e antes de começar,

como somos educados,

precisamos nos mostrar

 

Nós somos dois sujeitos

de comportamento exemplar

cultivamos o respeito

e o elogio no linguajar

Condenamos o despeito,

e a modéstia é nosso par

Não temos nenhum defeito,

e vamnos nos apresentar

 

TÉRCIO – Meu nome de batismo é Tércio,

Gosto muito de cantar

Eu canto em prosa e verso,

canto mesmo apesar

de o meu parceiro Lupércio

grunhir e desafinar

Ficasse lá no seu comércio

e o mundo ia se aliviar!

 

LUPÉRCIO – Ele qué o desafio

mas grande é nossa amizade

e eu num vô dá nem um pio,

só vô dizê a verdade:

tú num passa dum vadio

metido a sumidade

Teu pai, tua mãe, teus tio

têm a mesma dificurdade!

 

Já que tú me desafiô,

eu vô sê bem delicado,

não vô dizê qui teu vô

era um véio bem safado,

fedia que era um horror,

tinha um chulé desgraçado

Foi dele que tú herdô

o chêro de porco cevado

 

Tem um porco no meu quintar,

o nome dele é Zulú

É um bicho bem normar

se contenta com angú

e nem pensa que é o tar,

portanto num é como tú

que fede e chêra mar,

e é feio feito urubú!

 

De feiúra, tú entende,

basta si oiá no espêio –

a cabeça num aceita o pente

quar côco rachado ao meio

Tú é mêrmo diferente –

misto de burro e coelho,

Deus só lhe deixô os dente,

pra tú num ficá mais feio!

Sô feio mais tenho ciência:

evoluir é um processo lento

mais teu caso é uma indecência,

e por você eu lamento

Que Deus tenha paciência,

lhe dê luz ao pensamento

Tú carece de inteligência

e é burro feito u m jumento!

 

O jumento é, do mundo,

o bicho mais prestimoso

trabaia muito e vai fundo

no seu esforço honroso

Num é como o meu amigo

rotundo e tão presunçoso

qui é um baita vagabundo,

vadio e preguiçoso!

 

O descanso é muito bom

si é fruto duma jornada

Nele, apuro o dom

de cantá muitas toadas

Tú não reconhece o som

sequer de viola quebrada

só canta fora do tom

e tem voz bem esganiçada!

 

Adeus minha gente amiga

Mostramos: somos do Bem

Nóis num gostamo de briga,

e as virtude são mais de cem

Duas delas são bem antiga

no nosso coração zen:

a mintira é nossa inimiga

e nóis num fala már de ninguém!

 

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